História de Fontoura Xavier

Um pouco da história de nosso Município.

Geografia e organização política

O município é considerado de médio-pequeno porte, situado no Alto da Serra do Botucaraí, pertencente à micro região de Soledade, ao Noroeste do Rio Grande do Sul, com Latitude de -28,983 e Longitude -52,346. A área territorial de Fontoura Xavier compreende 583,465 Km² (segundo dados do IBGE), cuja  população atualmente estimada, no recenseamento de 2017 é de 10.836 pessoas.  A população confirmada no último censo [2010] foi de 10.719 habitantes , dos quais a grande maioria (em torno de 80%) vive no meio rural. A taxa de densidade demográfica é de 18,37% sendo que no meio rural é constituída de, em média, 5 pessoas por família, superando a constituição familiar do meio urbano. Administrativamente, o município divide-se em 05 Distritos, em várias comunidades e localidades menores, denominadas por Linhas ou Picadas:

1º Distrito: A Sede.
2º Distrito: Picada Silveira.
3º Distrito: Gramado São Pedro.
4º Distrito: Campo Novo.
5º Distrito: Três Pinheiros.

Além desses distritos, de inúmeros bairros, avenidas e ruas, destacam-se as seguintes comunidades: Linha São João da Picada Rosa, Picada Casagrande, Picada Taquari, Vila César, Linha Carrapicho, Picada Ziffa, Picada Pedreira, Picada Santa Catarina, Picada Fernandes, Linha Guabiroba, Linha Flor, Linha Eucaliptos, Linha Formigueiro, Linha dos Rosas, Linha Pedras Brancas, Linha Farias, Linha São Francisco, Linha Calha, Linha Ponte da Tigela, Linha Santiago, Linha São Roque, Linha Santa Lúcia, Linha Nova São José, Linha Bortoncello, Linha São Miguel, Linha São João do Gramado, Linha Nossa Senhora de Fátima, Linha Araçá, Linha Santo Antônio, Linha Café, Linha Costa da Forqueta, Linha Montes Claros, Linha Santa Cecília, Linha Santa Catarina da Guabiroba, Linha Bassorinha, Vila Vaz, Vila Tana, Vila Nova, Vila Candinha, Vila Pátria, Vila Crespani, Vila Alves de Moraes, Vila Espaço Ideal, Vila Paulina, Vila Rica, Vila Branca, Pró-Morar, Água Azul, Coxilha São José, Barra do Galvão, Coxilha Bonita, Barra do Dudulha e Vila Assis (movimento emancipacionista).

Fontoura Xavier situa-se a 214 Km de distância da capital do estado – Porto Alegre – e situa-se a 773 metros acima do nível do mar (altitude). Na década de 1960, a área territorial do município foi alterada pelo corte da Rodovia Presidente Kennedy – BR 386 (Estrada da Produção), a qual atualmente denomina-se Rodovia Leonel de Moura Brizola (Projeto de Lei de iniciativa do Deputado Federal Enio Bacci, aprovado em dezembro de 2007), que, sem dúvida, modificou o cenário econômico rio-grandense. Os limites territoriais fontourenses confrontam-se:

Ao Norte: com os municípios de Soledade e Arvorezinha;
Ao Sul: com os municípios de Progresso e Pouso Novo;
Ao Leste: com os municípios de Putinga e São José do Herval;
Ao Oeste: com o município de Barros Cassal;

Quanto à vegetação, ao norte e oeste predominam as pastagens nativas com manchas de capoeira em descanso. Ao sul, predominam as antigas matas nativas, especialmente as araucárias, que vão cedendo espaço para áreas de plantio de fumo, milho e feijão.  Percebem-se em algumas áreas o reflorestamento e o plantio de acácia, eucalipto e erva-mate (extrativismo vegetal). Resistem ainda, ao longo dos barrancos, os capões de Guamirim, planta nativa local, que deu origem ao nome popular do município. A paisagem é caracterizada por ter um relevo de topografia acidentada, o que limita a sua expansão, ficando o solo constantemente exposto a riscos de degradação pelo processo decorrente da erosão. O solo apresenta-se, em boa parte, pedregoso, raso e acidentado, sendo considerado de acidez elevada segundo os padrões de fertilidade, devido à presença de alumínio. A erosão é moderada e ocorre nos relevos ondulados, passível de ser controlada através de práticas de correção e conservação do solo. Há presença de grutas e cavernas. Nas pedreiras é praticado o extrativismo mineral, atualmente em menor escala, pois essa atividade foi bem mais intensa antigamente.

Quanto à distribuição das águas, pode-se afirmar que o município possui uma grande malha hidrográfica, formada por vários rios e riachos, os quais, em alguns trechos, apresentam cascatas e cachoeiras comuns nos rios de planalto, usadas para gerar energia elétrica através das usinas hidrelétricas, como é o caso da usina do Rio Fão. Destacam-se no município os rios Fão, Forqueta, Pedras Brancas e Galvão, e os arroios Tatim, Dudulha, Penteado, Guabiroba, Formigueiro, Quevedo, São Miguel, Tigela, Pessegueiro e o Arroio Assis, maioria destes, afluentes do Rio Fão e do Forqueta, tributários da Bacia Hidrográfica do Taquari.

O clima predominante é o subtropical úmido, segundo a classificação de Köeppen. A temperatura oscila e pode variar de -4ºC a 38ºC, de acordo com a estação do ano. Registra-se uma temperatura média anual de 17º C. Ocasionalmente, há registros de granizos, de geadas, bem como há ocorrência de neve nos meses de inverno. Há formação de neblina no decorrer de boa parte do ano, especialmente à noite no trecho de Vila Assis até a balança (posto de pesagem desativado). Em geral, as chuvas são bem distribuídas durante todo o ano, mas, excepcionalmente, já ocorreram longos períodos de estiagem e seca, chegando a ser declarada situação de calamidade pública SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA?? A pluviosidade (quantidade de chuvas) é mais elevada nos meses de julho, agosto, setembro e outubro, e apesar de chover menos em novembro e dezembro, isso não chega a causar déficit de água no solo.


Simbologia, Cultura e Folclore

“De acordo com a Lei nº 154/79, que dispõe sobre a forma de apresentação dos Símbolos do Município de Fontoura Xavier, em seu artigo 6°, os parágrafos 1° e 2° dizem o seguinte: “De conformidade com a tradição da Heráldica Portuguesa, da qual herdamos os cânones e regras, a vexilologica das Bandeiras Municipais, obedece aos estilos oitavado, sextavado, esquartelado ou terciado, tendo como cores as mesmas constantes no campo do Escudo, ostentando ao centro uma figura geométrica onde o Brasão Municipal é aplicado”. A Bandeira Municipal de Fontoura Xavier obedece a essa regra geral, sendo por opção esquartelada em “Sauber”, dividida em quatro partes em forma de “xis”.

O Brasão aplicado no centro da bandeira representa a própria cidade, sede do Município. O círculo branco, símbolo da eternidade na ciência dos Brasões, porque se trata de uma figura geométrica que “não tem princípio nem fim” e a cor branca é símbolo da paz, amizade, trabalho, prosperidade, pureza e religiosidade. As faixas brancas carregadas sobre faixas vermelhas, se dividem em 4 partes. A Bandeira é a irradiação do Poder Municipal, que se expande à todos os quadrantes do seu território, sendo que a cor vermelha é símbolo de dedicação, “Amor-Pátrio”, audácia, destemor, coragem e valentia. As quatro partes representam as propriedades rurais existentes no Território Municipal. A cor verde é símbolo da alegria, abundância, civilidade, honra e cortesia; é a cor simbolizada na “Esperança” e a esperança é o verde porque lembra os campos verdejantes na primavera fazendo “esperar” copiosa colheita.

No município de Fontoura Xavier, desde antigamente, predominam algumas crenças, mitos e superstições. Uma das crendices mais antigas era o temor que as pessoas tinham pelo dia de São Pedro, 29 de junho. Eles diziam que São Pedro era muito violento, que no seu dia não deveriam ser abertos bares, fazer bailes, porque resultariam em brigas e mortes, por isso, o dia era muito respeitado. Também no dia de São João fazia-se uma festa diferente, com fogueira, erguia-se um mastro branco e fazia-se a Mesada dos Inocentes, isto é, uma mesa com doces só para crianças menores de 7 anos.

A comunidade era bem divertida, os bailes começavam às 20h e terminavam às 2hs da madrugada, e lá pela meia noite todos jantavam no baile, com porco assado, galinha, cucas e doces, bebidas e quentão.

As pessoas mais velhas acreditavam em lobisomem, até diziam ter visto o bicho, que seria um cachorro muito grande, que uivava depois da meia noite e atacava as pessoas. Diziam que era um homem que se transformaria no tal animal.

As matas eram fechadas, e os caçadores contavam ter visto animais selvagens como a onça pintada, gatos do mato e tamanduás. A caça era um esporte, porque não era proibido, qualquer pessoa podia caçar veados, tatus, pacas e outros.

O povo acreditava que nos campos estavam enterrados moedas e utensílios de ouro deixados pelos padres jesuítas, então cavavam o solo, mas quando ouviam qualquer barulho, fugiam com medo de assombração. Muitos encontravam panelas com moedas de ouro enterradas em locais considerados assombrados.


Como tudo começou: O Povoamento

Muitos foram os padres Jesuítas que se notabilizaram na grande obra de catequizar os índios sul-americanos, constituindo-se seu trabalho, na Pedra Fundamental de Civilização dos Gentios, existentes naquela época.

Destaque especial merece o Padre Gonçalves de Santa Cruz, porque foi ele que ergueu no território rio-grandense a primeira Redução Jesuítica, no ano de 1626, que levou o nome de São Nicolau.

Fala-se muito nos Sete Povos das Missões, que correspondia às Reduções mais famosas e que permaneceram para sempre, umas em forma de cidade, sendo elas: São Miguel, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Borja, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio. Ao todo foram fundadas 18 Reduções no solo riograndense, porém permaneceram apenas aquelas SETE; as demais foram destruídas, ou pelo ataque dos Bandeirantes Paulistas, ou pelo abandono e consequente ação do tempo.

No ano de 1633, foi fundada pelo Padre João Soares da Serra do Botucaraí, a 15ª Redução dos Jesuítas, que levou o nome de São Joaquim. Contam os antigos, e realmente constatam-se no atual Território do Município de Fontoura Xavier, indícios de acampamentos que marcam a passagem dos jesuítas. Essa Redução foi completamente destruída pelos Bandeirantes Paulistas em busca de escravos índios, muito hábeis com o trabalho na campanha.

As reduções ou Missões, como passaram a se chamar, muito prosperaram na época, havendo transformado completamente a sua área de atuação, conservando a disciplina, organização e grandes criações. Nos anos seguintes, houve muitas lutas no território riograndense, motivadas pela ambição de Portugal e Espanha sobre o domínio destas terras.

Em 1801, as Missões foram completamente dominadas pelos portugueses, e com a Independência do Brasil em 1822, os proprietários particulares acabaram por dominar as terras e o gado, escravizando os indígenas. Somente em meados de 1835, quando se iniciava o movimento dos Farroupilhas, é que a Região recebe um fluxo maior de civilizados que aqui se abrigavam dos conflitos do movimento, quando então se passou a ocupação efetiva destes campos.

Segundo essa lenda, nos idos de 1820, na localidade da Canga Quebrada, pertencente na época à área territorial de Soledade, hoje no município de Fontoura Xavier, aportaram caravanas dos chamados “mineiros” em busca de novas terras, novas minas e novos horizontes. Avançando sempre, impelidos pela aventura, pela coragem e pela fé. Traziam consigo uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e outra de Nossa Senhora das Dores. Ao partirem de seu local de origem haviam feito a promessa: ergueriam uma capela a Nossa Senhora no lugar de onde não mais pudessem prosseguir viagem. Chegados a essas colinas, onde tudo era beleza, o clima seco e ameno, a água em abundância, pastagens fartas e verdejantes, pinheirais e matas, aqui armaram acampamento, deixando-se ficar por vários dias.

Reiniciando a caminhada, colocaram as duas imagens de Nossa Senhora sobre uma das carroças, puxadas a bois de tração. Percorridos poucos metros, eis que uma das rodas da carroça que conduzia as imagens sagradas teria se partido ao meio e por isso, o nome de Canga Quebrada. Desatrelaram os bois e puseram-se a consertar a roda. Completada a tarefa, constataram que os bois haviam sumido, e, depois de muitas buscas, foram encontrados e novamente atrelados ao veículo rústico. Ao tentarem nova partida, outra vez, partiu-se a roda. Tomaram isso como um sinal da vontade de Nossa Senhora, para que no local se erigisse a Capela prometida no início da viagem. Isto fizeram. Diante daquela imagem, faziam suas preces de louvor e agradecimento, e como o local era por demais tranquilo e ermo, recebeu deles o nome de Nossa Senhora da Solidão. Substituído, mais tarde, pelo de Nossa Senhora da Soledade.

Foi a partir da criação desta capela que os antigos campos de cima da Serra do Botucaraí passaram a denominar-se “Campos da Capela da Soledade”. Em muitos lugares do Brasil, atualmente, existe a devoção à Nossa Senhora da Soledade: no Amazonas, à margem do Rio Juruá no estado de Paraíba, entre outros.


A Emancipação Política

No ano de 1962, a comunidade da Vila de Fontoura Xavier experimenta dos benefícios que a união de seus membros pode proporcionar, ao debaterem a necessidade da extensão de energia elétrica para a Vila. Dos trabalhos desenvolvidos surgiu a cooperativa de Energia e Consumo Soledadense LTDA – CERFOX, que tornou possível trazer a energia elétrica para Fontoura Xavier.

O 10º Distrito já se mostrava ansioso pelo lento progresso verificado no seu território, principalmente das atividades de competências do poder público. Precisavam de uma Escola, não conseguiam, precisavam de boas estradas, não as tinham. A vontade de crescimento de seu povo foi acumulando descontentamentos e vontade de mudar.

Representava o 10º Distrito na Câmara Municipal de Soledade o Vereador Armando Taffarel. Foi numa das sessões na Câmara, no dia 12 de agosto de 1964, que lhe chegou às mãos uma cópia da Lei Estadual nº 4.762, sancionada em 30 de julho de 1964, que dava condições a que novas localidades se candidatassem à emancipação.

De volta ao seu Distrito, o Vereador Armando Taffarel reuniu-se rapidamente com o Sr. Olívio Taffarel e o Sr. José Ceney da Silva Portela, ficando encarregados os Senhores Armando e José, que viajaram a Porto Alegre a fim de buscar maiores detalhes, e assim o fizeram no outro dia. Com a volta deles, ficaram sabendo dos procedimentos a serem tomados. A lei dava o prazo até 31 de agosto para a Constituição da Comissão Emancipacionista, cujo registro dependia do acompanhamento de assinaturas de 1/3, e também 1/3 das assinaturas deveriam ser do Distrito de São José do Herval.

Já no dia 17, as lideranças estavam reunidas para a formação da Comissão Emancipacionista, que traçou os planos para a execução dos trabalhos. Como o Vereador Armando Taffarel não podia fazer parte da comissão, em razão de seu cargo no município de Soledade, pelo esforço até então dedicado ficou presidindo a Comissão o Sr. Olívio Taffarel, tendo como 1º Vice o Sr. Francisco Rafael Zanotelli, 2º Vice o Sr. José Ceney da Silva Portela, 1º Tesoureiro o Sr. Atílio Chitolina, 2º Tesoureiro o Sr. Edmundo Haas, Secretário Geral o Sr. Pedro da Silva Portela, 2° Secretário o Sr. Almeri Pinto de César, e como Conselheiros os Srs. Ogênio Pereira de Souza, Antonio de Cezar, Lauro Zanotelli, Ernesto Guadagnin, Otávio Prereira de Souza, João Riciere Gradaschi, Dionísio Joaquim de Oliveira, Dionysio Taffarel e Clóvis Chitolina.

O primeiro trabalho programado para ser feito era a coleta de assinaturas de 1/3 do eleitorado. No domingo de madrugada, às 4h30min era feita a primeira assinatura do Distrito de Fontoura Xavier, sendo de autoria de Orácio Rodrigues da Silva (Nenê Pitoco) e de sua esposa. No Distrito de São José do Herval a primeira assinatura foi de Francisco Rafael Zanotelli.

Aos voluntários Armando Taffarel e Atílio Chitolina coube a tarefa de convencer o Frei Teodósio, de São José do Herval, a aderir ao movimento emancipatório, que aceitou prontamente, passando de imediato a pregar durante o sermão da Santa Missa que o povo aderisse ao Movimento e assinasse as listas. O tempo que a Comissão dispunha para colher as assinaturas era de 10 dias. Deveria ainda nesse tempo formalizar e entregar do pedido de registro em Porto Alegre.

Foi com grande surpresa que, repentinamente, o Frei Teodósio começou a pregar contra a adesão do povo a assinaturas das listas, o que para alguns já era esperado, e isso exigiu trabalho dobrado da Comissão Emancipacionista.

No dia 31 de agosto, o Sr. Olívio Taffarel entregava em Porto Alegre o pedido de registro da Comissão, contendo 948 assinaturas, dando por encerrada a primeira parte.

A lei dava prazo até 30 de setembro para que a Comissão comprovasse que a área pretendida de emancipação preenchia os requisitos necessários para conquistar sua autonomia. No dia 30 de setembro, o Sr. Olívio Taffarel entrava com requerimento junto ao Presidente da Assembleia Legislativa, solicitando a realização da consulta plebiscitária nos distritos de São José do Herval e Fontoura Xavier, quando no mesmo ato já fazia a entrega dos seguintes documentos exigidos pela lei:

a) Mapa do Território do novo Município, conseguido junto ao IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária);
b) Memorial descritivo dos estabelecimentos e declarações das empresas existentes, da sua capacidade e atividade;
c) Apresentação da localidade a ser sede do Município;
d) Certidão do Departamento Estadual de Estatísticas, do número de habitantes da área;
e) Certidões de receitas de tributos arrecadados na área, fornecida pela Exatoria Estadual de Soledade e pela Delegacia Estadual do Tesouro Nacional em Porto Alegre;
f) Relação dos imóveis existentes na área emancipada, fornecida pela Prefeitura Municipal de Soledade.

Aguardou-se, então, a marcação da data para realizar o Plebiscito, que veio pela Lei nº 4.919, de 31 de dezembro, marcando para 25 de abril de 1965.

Começa então a movimentação pela campanha do Sim e do Não no plebiscito. A Comissão Emancipatória reuniu-se e deliberou pela criação de subcomissões no interior dos Distritos para empolgar o povo na luta do SIM.

No dia 9 de janeiro, foi criada a primeira subcomissão emancipatória na localidade de Pedras Brancas; no dia 10 na Picada Rosa; no dia 17 na Vila Cezar; no dia 23 na Nossa Senhora das Graças; no dia 02 de fevereiro na Picada São Miguel; no dia 11 Capela Santa Catarina; no dia 13 no Gramado São Pedro; no dia 14 na Ponte Pacchmam; no dia 19 na Picada Nossa Senhora de Fátima; no dia 06 de março na Picada São João; no dia 07 nos Três Pinheiros; no dia 07 na Picada Dudulha; no dia 14 no Campo Novo; no dia 24 na capela São Francisco – São José do Herval; no dia 28 na Santa Lúcia; no dia 08 de abril na Picada Rosa; no dia 10 na Picada Nossa Senhora do Carmo; e, finalmente no dia 18 de abril, houve o Comício de encerramento com a presença dos Deputados Hed Santos Borges, Gudeben Borges Castanheira e Lidovino Fanton.

O Plebiscito realizou-se sob um clima de nervosismo e agitação geral, transcorrendo sob fortes tensões e apresentando o seguinte resultado: dos 1532 votantes, 939 votos para o SIM, 569 votos para o NÃO, 17 votos em branco, 06 votos nulos e 01 voto separado, numa diferença para o SIM de 370 votos.

No Rincão de Nossa Senhora, área pertencente ao 1º Distrito de Soledade, verificou-se o início de um povoamento que, mais tarde, se tornaria no atual Município de Fontoura Xavier. Pelo seu crescente povoamento e pela necessidade de dar uma melhor atenção para a nova localidade, Soledade resolveu criar seu 10º Distrito, em 5 de julho de 1922, com o nome de Getúlio Vargas, cujas divisas seriam a partir da Canga Quebrada até os rios Forqueta e Dudulha.

Naquela época, a Vila Getúlio Vargas já possuía seu movimento político e comercial, onde residiam os primeiros moradores da Vila: Joaquim José Borges, Otávio Martins da Cunha, Lídia Xavier Simões, Sebastião Rosa, Lourenço Ferreira Soares, Antônio Vaz Pinheiro, Matias Dallariva Santos Ruas, Orestes Valter, Pedro Pasqual, Donato Joaquim Oliveira, Eduardo Rodrigues de Godoy, Euclides Tatim Sobrinho, Afonso Rodrigues de Godoy, Reinaldo Rodrigues de Godoy, Genésio de Souza Pedroso e Ernesto Ferreira Maia.

Naquela época, o nome de Getúlio Vargas era dado para diversas localidades, criando uma série de embaraços para os serviços de Correios, Telégrafos e Telefonia. Assim sendo, o Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros, baixou o decreto nº 7.199, proibindo que duas localidades tivessem o mesmo nome. Como já existia outra localidade mais antiga com esse nome, o 10º Distrito passou a ter o nome de Fontoura Xavier, respaldado pela Lei nº 4.974, de 09 de julho de 1965, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul criou então, o novo Município de Fontoura Xavier.


A breve história da escolha do nome

O nome do município, teve influência direta do eminente professor Ernesto Ferreira Maia, nascido em 09 de janeiro de 1889, no município de Arvorezinha/RS. Foi um homem caridoso, honrado, com princípios morais fortes que sempre o caracterizaram como um exemplo de cidadão de bem. Inteligente e perspicaz sempre considerado uma luz na comunidade. Liderou movimentos para construção da Igreja do Hospital e de escolas. Foi um dos fundadores do Guamirim, hoje município de Fontoura Xavier, cujo nome foi sua indicação em face da amizade que possuía com o poeta e jornalista Antônio Vicente da Fontoura Xavier, que em passagem pelo município, hospedou-se em sua casa e lhe presenteou o Livro Poesias opalas, de sua autoria.O professor Ernesto ocupou todos os cargos na subprefeitura entre 1906 a 1930, embora tenha tido como principal atividade a de professor alfabetizador, e também atuou como subintendente, juiz de paz, escrivão, sendo também agricultor. Como professor, além de alfabetizador, ainda possuía dons poéticos com diversos textos, não publicados, que exaltavam seus dotes literários. Inicialmente, era membro do Partido Republicano de Soledade e na política foi fundador do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, em Fontoura Xavier. Por sua característica decidida, foi embaixador de Getúlio Vargas nesta região.

Casou-se em 1915, com Alvina Leite Ferreira, soledadense, com a qual teve as filhas Maurícia, Cantalícia, Wilma e Ercil, e os filhos Pedro, Antoninho e Nelson. Após o falecimento de dona Alvina, por volta de 1942, casou-se com Sebastiana, com quem teve mais cinco filhos, Alberto, João, Ernesto, Zélia e Tereza. No dia 06 de maio de 1958, veio a falecer, sento vitimado por um infarto.


A Guerra histórica: O glorioso combate do rio Fão no contexto da Revolução Constitucionalista

Getúlio Vargas, após a vitória da revolução de 1930, subsequente à sua derrota eleitoral como candidato à presidência da República, prometera democratizar o Brasil pela convocação de uma Assembleia Constituinte. Não cumpriu o acertado com seus companheiros de campanha. Já havia um cheiro de ditadura no ar. Em 1932, os governos estaduais de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo acertaram intimar Getúlio a democratizar o país, e se necessário, obrigá-lo pela força das armas em novo levante revolucionário. Getúlio não se intimidou, e obteve a adesão de Minas Gerais e, após, também do Rio Grande do Sul, que tinha Flores da Cunha como interventor do Estado. Flores havia se comprometido com os Paulistas e na última hora, mudou de lado.

Já haviam sido formadas forças provisórias no interior do Estado e em dois municípios, Lajeado e Soledade, a atitude de Flores não obteve concordância, se declararam, nestes municípios, favoráveis à São Paulo, e, portanto, contra Flores e Getúlio, mantendo a palavra empenhada com os paulistas. A maioria dos voluntários nem sabia bem o que estava ocorrendo e foram à Revolução, levados por lideranças ou por mero espírito de aventura. As forças dos dois municípios tinham se reunido nas florestas de araucária, localizadas na serra existente na divisa dos antigos municípios de Lajeado e Soledade, aguardando as ordens de Flores para marchar contra Getúlio.

Para compreendermos os fatores que fizeram com que aqui, no município de Fontoura Xavier, ocorresse um foco de conflito conhecido como “Revolução Constitucionalista de 1932” ou “Guerra Paulista”, é necessário considerarmos os seguintes antecedentes:

– A Grande Depressão, uma crise econômica que ocorreu a partir do ano de 1929, que afetou a economia mundial e que ocasionou a queda das exportações, entre essas, a queda do preço do café, cujo principal pólo exportador no Brasil, era São Paulo;

– O descontentamento da maioria dos estados brasileiros com a “política café-com-leite”, pela qual se alternavam na presidência da República políticos dos estados de São Paulo e Minas Gerais;

– O fato de Getúlio Vargas ter assumido o estado através de um golpe que o reconduziu ao poder, colocando fim a supremacia política dos paulistas. Getúlio Vargas depôs os governadores e nomeou interventores estaduais, que em maioria eram tenentes, sendo que esse movimento político ficou conhecido como Tenentismo;

– A designação do coronel João Alberto de Barros como interventor de São Paulo, o que as oligarquias paulistas não admitiam, pois consideravam o novo interventor um “forasteiro” e “plebeu”.

Foram esses os fatos principais que culminaram no maior conflito armado ocorrido no Brasil entre os meses de julho e outubro de 1932. Essa revolução ocorreu em São Paulo, mas teve focos do combate em várias localidades brasileiras, inclusive no município de Fontoura Xavier.

Neste episódio, que diz respeito a Fontoura Xavier, no dia 9 de julho de 1932, em São Paulo, é deflagrada a Revolução Constitucionalista, contrária à instalação no país da ditadura de Getúlio Vargas. Os Paulistas, ao deflagrarem a Revolução, contavam com a certeza de que o Rio Grande do Sul os apoiaria em massa, mas isso não aconteceu e o interventor Federal, Flores da Cunha, manteve-se fiel ao Presidente Vargas, organizando aqui os batalhões provisórios para combater os levantes.

Em Soledade, foram criados dois desses batalhões, o 44º comando, pelo Coronel Pedro Corrêa Garcez, e o 33º comando, pelo Coronel Cândido Carneiro Junior, conhecido popularmente por general CANDOCA. No dia 14 de agosto, entretanto, Borges de Medeiros e Batista Luzardo, numa demonstração de desprendimento e coragem cívica, haviam saído clandestinamente de Porto Alegre para tentar uma articulação de forças no interior do Estado, a fim de combater o INTERVENTOR FEDERAL e a Ditadura em solidariedade ao movimento Paulista.

Empolgados com gestos e apoiados pelos líderes da FRENTE ÚNICA (Republicanos e Libertadores), articularam-se no final do mês de agosto alguns Republicanos e os Libertadores de Soledade para empreenderem um movimento de rebelião. No clarear do dia 1º de setembro, assaltaram o quartel do 44º, que era um segmento do corpo auxiliar que obedecia ao comando do advogado Pedro Corrêa Garcez, sendo que este se manteve fiel ao interventor Federal e foi preso, assim como outros oficiais de seu grupo. Sabendo que o governo Estadual enviara forças para reprimir o movimento, CANDOCA resolveu afastar sua força da Sede Municipal, a fim de poupar as famílias das consequências de um violento combate.

Assim, a força rebelde ganhou o interior do município de Fontoura Xavier a partir de 04 de setembro, procurando entrincheirar-se nas cercanias para os lados de Lajeado, pelo atual Território do Município de Fontoura Xavier. Passando pela atual sede de Fontoura Xavier, onde na época acampou na Igreja local no dia 13, às margens do Rio Fão, o grosso do grupo dos rebeldes foi atacado por um Esquadrão do Regimento Presidencial (hoje 4º Regimento da Polícia Montada), desenvolvendo-se renhido combate, que teve duração de mais ou menos seis horas. Houve numerosas perdas de parte a parte. Com a derrota pelas armas dos Paulistas, tornou-se inútil qualquer ato agressivo isolado e as forças foram dispersas. Nesse ato, em 13 de Setembro de 1932, um pequeno grupo foi tocaiado e agredido pela Brigada. Travou-se um combate à margem do Arroio Dudulha, quase na desembocadura no Rio Fão, na antiga divisa dos municípios citados, cerca de 40 km além de Lajeado, pela rodovia BR-386, Estrada da Produção. Sem condições de resistir a uma força bem armada e municiada, o General CANDOCA retirou seus homens cruzando o Rio Dudulha, refugiando-se pelos matagais. Por algum tempo, permaneceu ainda muita gente reunida e disposta à resistência, até que o Interventor do General Flores da Cunha mandou um emissário, na pessoa de Dr. Félix Filho, para acerto da parte do Interventor Federal, seguindo-se, então, um longo período de intranquilidade para os Soledadenses que haviam participado do levante. Vários incidentes e conflitos que ocorreram mais tarde não passaram de reflexos desta luta de 1932, dos ressentimentos e vinganças que esse Combate havia desencadeado.


Autora e colaboradora: Mirian da Silva Ortiz.

Fonte de pesquisa: Livro Fontoura Xavier: resgatando as origens.